Morgan Freeman

Morgan Freeman

 

Morgan FreemanMorgan Freeman revelou, em entrevista recente, que, em quase 40 anos de carreira no cinema, nenhum diretor o colocou como protagonista romântico de qualquer filme. Freeman nunca havia sequer beijado outra atriz na telona – só não permaneceu invicto por muito tempo porque tascou um beijo em Renée Zellweger em ”A Enfermeira Betty”.

E, mesmo assim, houve quem virasse o rosto. Talvez porque ele fosse muito mais velho que ela, talvez porque ele fosse negro e ela, branca, ou talvez apenas porque seu personagem fosse um assassino de aluguel contratado para matá-la.

Todos os preconceitos que Freeman teve de enfrentar ao longo de sua carreira tiveram seu lado positivo. Serviram como provação e o ligaram, inseparavelmente, à mentalidade da cultura negra americana.

Quando se trata de personagens negros dignos, Freeman sempre é o primeiro nome na lista de qualquer diretor. E, mesmo quando raça não importa, o ator também é bem-cotado – ele é um dos poucos atores negros que consegue papéis que não foram necessariamente escritos para negros.

Antes de iniciar-se nas artes dramáticas, Freeman pensou em concretizar seu sonho infantil de se tornar piloto. De 1955 a 1959, logo após formar-se na Los Angeles Communitt College, ele conseguiu chega à Força Aérea americana – nunca, porém, como piloto, e sim como mecânico. Apenas recentemente adquiriu brevê para conduzir aeroplanos particulares.

Como muitos talentos de sua geração, Freeman teve formação basicamente teatral, formando-se iniciando sua carreira na década de 1960, na produção off-Broadway ”Niggerlovers”. No mesmo período, conseguiu participar da versão totalmente negra de ”Hello, Dolly!” e emendou uma série de bons papéis, tanto em grandes espetáculos quanto nos circuitos alternativos de Nova York. Neste comecinho de carreira, era casado com Jeanette Adair Bradshaw, de quem viria a se divorciar em 1979.

Freeman migrou dos palcos para a TV em 1971, com o programa infantil ”The Electric Company”, no canal PBS. Ele protagonizava o quadro Easy Reader, que auxiliava crianças pré-alfabetizada a ler. Ainda no mesmo ano, Freeman também chegou aos cinemas, novamente voltando-se para os pequeninos, com o filme ”Who Say’s I Can’t Ride a Rainbow?”. A década de 1970, porém, provou-se escassa em boas oportunidades, e o ator refugiou-se em telefilmes de qualidade e repercussões indignas, como ”Roll of Thunder, Hear My Cry” (1978), ”Hollow Image” (1979), ”Julius Ceasar” (1979) e ”Attica” (1980).

O drama de presídio ”Attica”, em particular, anteviu bons momentos da carreira de Freeman, sempre pontuadas de filmes do gênero. Seu primeiro filme ao lado de uma grande estrela (no caso, Robert Redford) foi ”Brubaker”, de 1980, acerca de um policial que se disfarça como detento para investigar a corrupção na cadeia; e, em 1994, Freeman foi indicado ao Oscar por bancar o presidiário veterano que aconselha o novato Tim Robbins em ”Um Sonho de Liberdade”, de Frank Darabont.

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Antes de chegar ao Oscar, porém, Freeman trabalhou feito um camelo ao longo dos anos 1980. Com a atenção dada a ”Brubaker”, conseguiu uma ponta em 1981 em ”Eyewitness”, ao lado de Sigourney Weaver, William Hurt e James Woods – todos astros que se consolidariam naquela década. No mesmo ano, finalmente protagonizou um longa, e em um papel de respeito: foi o líder racial Malcom X em ”Death of a Prophet”. Interpretar grandes figuras históricas também se tornaria uma constante na filmografia do ator.

O ator ainda manteve laços com a TV, principalmente com novelas vespertinas. Atuou nos folhetins ”Ryan’ Hope”, em 1981, e ”Another World”, de 1982 a 1984. No cinema, fez ”Harry and Son” (1984), protagonizado, roteirizado e dirigido por Paul Newman; o drama ”Marie”, com Sissy Spacek; e ”That Was Then… This is Now”, com Emílio Estevez.

As coisas só começaram a mudar para Morgan Freeman com o genial ”Street Smart”, suspense no qual um jornalista, vivido Chritopher Reeve, inventa uma matéria à respeito do submundo do crime, chamando a atenção da polícia e de um cafetão de verdade. Freeman roubou a cena como este último, numa atuação em iguais partes carismática e ameaçadora, mas visceralmente autêntica. O filme propeliu o desconhecido Freeman direto para uma indicação ao Oscar de melhor coadjuvante – e, claro, uma chuva de convites. Não é fácil encontrar um bom ator negro em Hollywood!

Em 1989, Freeman concorreu mais uma vez ao Oscar, desta vez como protagonista, graças ao tocante drama ”Conduzindo Miss Daisy”, uma narrativa intimista a respeito da amizade entre um motorista e uma velha senhora(Jessica Tandy) emocionalmente distante do filho (Dan Aykroyd). Em 1990 ganhou o Globo de Ouro de “Melhor Ator” pelo filme “Conduzindo Miss Daisy”. No mesmo ano, ainda particiou de outro sucesso de público e outro de crítica,respectivamente ”Meu Mestre, Minha Vida”, molde-mestre de todo filme sobre professores que ”salvam” escolas de subúrbios; e ”Tempo de Glória”, épico de Edward Zwick sobre o primeiro regimento de negros a combater na Guerra de Secessão.

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Mesmo já aos 53 anos, Freeman mostrava imensa vontade de aproveitar seu atrasadíssimo sucesso. E assim o fez, com pique invejável, estrelando desde o drama de Tom Wolfe ”A Fogueira das Vaidades” (1990), ao lado de Tom Hanks e Bruce Willis, dirigido por Brian DePalma, até a deliciosa aventura ”Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões” (1991), com Kevin Costner e Christian Slater.

Além de envolver-se em conceituadíssimos projetos que geralmente arrebatavam o Oscar, como foi o caso do faroeste de Clint Eastwood ”Os Imperdoáveis” (1992) e o supracitado ”Um Sonho de Liberdade” (1994), Freeman soube manter-se fiel às suas raízes, sempre reservando tempo para atuar em filmes com mensagens anti-racismo, como ”O Poder de um Jovem”, que lançou Stephen Dorff em 1992; e ”Amistad”, épico sobre o tráfico negreiro assinado por Steven Spielberg recebido com frieza em 1997.

A partir de meados dos anos 1990, porém, Freeman começou a dar sinais de cansaço, partindo para uma sucessão de escolhas de papel um tanto mais pragmática. Especializou-se em parcerias policiais, com resultados bastante díspares, como o seminal ”Seven – Os Sete Crimes Capitais” (1995), melhor thriller desde ”O Silêncio dos Inocentes”; ou os medíocres ”Reação em Cadeia” (1996), ao lado de Keanu Reeves, e ”Tempestade” (1998), novamente com Christian Slater. Quando finalmente sentiu-se maduro a ponto de sustentar um suspense policial sozinho, deu-se bem como o criminologista Alex Cross, em ”Beijos que Matam” (1997), papel que repetiu em ”Na Teia da Aranha”, em (2001). Em 2005 ele ganhou o seu primeiro Oscar de melhor ator coadjuvante pelo filme “Menina de Ouro”.

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Nestes últimos anos, Morgan Freeman experimentou uma variedade de personagens e de colegas de trabalho que condisse com seu próprio espectro dramático. Encarnou com o mesmo talento o primeiro presidente negro no filme-catástrofe ”Impacto Profundo” (1998) e o passional pintor de ”Os Amores de Moll Flanders” (1996). Da mesma maneira, foi do drama/comédia independente ”A Enfermeira Betty” (2000) ao blockbuster de ação ”A Soma de Todos os Medos” (2002) com o mesmo empenho.

Não é à toa, portanto, que Morgan Freeman ranqueou em 37º na lista da revista Empire dos maiores astros de todos os tempos. Apesar disso, mantém-se bastante reservado quanto a sua vida pessoal. Depois de Janette, casou-se apenas com Myrna Colley-Lee, em junho de 1984, e vive com ela até hoje. Possui quatro filhos: os meninos Alphonse e Saifoulaye, e as garotas Morgana e Deena – sendo que esta última é adotada. Além de atuar, Freeman mantém como atividades paralelas um bar de blues, chamado Ground Zero, no Mississippi, e coordena o Frank Silvera Writer’s Workshop, voltado para a comunidade negra.

Filmografia:

2014 – Transcendence
2013 – Última Viagem a Vegas
2013 – Truque de Mestre
2013 – Oblivion
2013 – Invasão à Casa Branca
2012 – O Reencontro
2012 – Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge
2011 – Conan, o Bárbaro (narrador)
2010 – Red – Aposentados e Perigosos
2010 – Invictus
2009 – Jogo entre ladrões (Thick as thieves)
2008 – Batman – O cavaleiro das trevas (Dark knight, The)
2008 – O procurado (Wanted)
2008 – A raisin in the sun (TV)
2007 – A volta do todo poderoso (Evan Almighty)
2007 – Antes de partir (Bucket list, The)
2007 – Banquete do amor (Fear of love, The)
2007 – Medo da verdade (Gone, baby, gone)
2006 – Um astro em minha vida (10 items or less)
2006 – O contrato (Contract, The)
2006 – Xeque-mate (Lucky number slevin)
2005 – A marcha do imperador (La marche de l’empereur) (voz)
2005 – Edison – Poder e corrupção (Edison)
2005 – Guerra dos mundos (War of the worlds) (voz)
2005 – Batman begins (Batman begins)
2005 – Cão de briga (Danny the dog)
2005 – Um lugar para recomeçar (An unfinished life)
2005 – Slavery and the making of America (TV)
2004 – Menina de ouro (Million dollar baby)
2004 – O golpe (Big bounce, The)
2004 – Colors straight up
2004 – Tusker
2004 – Long walk to freedom
2004 – Freedomland
2003 – Vítimas inocentes (Guilty by association)
2003 – O 5º passo (Levity)
2003 – Todo poderoso (Bruce Almighty)
2003 – O apanhador de sonhos (Dreamcatcher)
2002 – A soma de todos os medos (Sum of all fears, The)
2001 – Na teia da aranha (Along came a spider)
2001 – Crimes em primeiro grau (High crimes)
2000 – A enfermeira Betty (Nurse Betty)
2000 – Sob suspeita (Under suspicious)
1999 – Munity (TV)
1999 – Relações perigosas (Water damage)
1998 – Impacto profundo (Deep impact)
1998 – Tempestade (Hard rain)
1997 – Amistad (Amistad)
1997 – Long way home, The (voz)
1997 – Beijos que matam (Kiss the girls)
1996 – Reação em cadeia (Chain reaction)
1996 – Os amores de Moll Flanders (Moll Flanders)
1996 – Cosmic voyage (voz)
1995 – Seven – Os sete crimes capitais (Se7en)
1995 – Epidemia (Outbreak)
1995 – Promised Land, The (TV)
1994 – Um sonho de liberdade (Shawshank redemption, The)
1992 – Os imperdoáveis (Unforgiven)
1992 – O poder de um jovem (Power of one, The)
1991 – Robin Hood – O príncipe dos ladrões (Robin Hood: Prince of Thieves)
1990 – A fogueira das vaidades (Bonfire of the vanities, The)
1989 – Tempo de glória (Glory)
1989 – Meu mestre, minha vida (Lean on me)
1989 – Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy)
1989 – Um rosto sem passado (Johnny Handsome)
1988 – Clinton and Nadine (TV)
1988 – Marcas de um passado (Clean and sober)
1987 – Luta pela vida (Fight for life) (TV)
1987 – Armação perigosa (Street Smart)
1986 – A última batalha (Resting place) (TV)
1985 – Execution of Raymond Graham, The (TV)
1985 – Atlanta child murders, The (TV)
1985 – Marie – A verdade de uma mulher (Marie)
1985 – A força da inocência (That was then… this is now)
1984 – Meu pai, eterno amigo (Harry and son)
1984 – Escola da desordem (Teachers)
1981 – Marva Collins Story, The (TV)
1981 – Testemunha fatal (Eyewitness)
1981 – Death of a prophet
1980 – Brubaker (Brubaker)
1980 – Attica (TV)
1979 – Coriolanus
1979 – Hollow image (TV)
1979 – Julius Caesar
1978 – Roll of Thunder, Hear My Cry (TV)
1971 – Who says I can’t ride a rainbow?

Fonte: Batman Trajetoria

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